Ok...
É verdade que todos os anos me esfalfo entre as lojas e decorações natalícias para que o dia chegue, mas é também verdade que quando o maldito se aproxima, até que as horas se enchem de comida e açúcar e canela e pão e bolos e frutos secos em massas e quantidades industriais, o ridículo e o espectáculo da depressão toma definitivamente os seus contornos e acabo sempre por me arrepender de todo o esforço sobre-humano para que ele acontecesse mesmo.
Não esquecendo todas as coisas que o fazem, por birra, ser considerado magnífico, são os serões em que se discutem o top das sms do ano (invariavelmente iguais às dos anos anteriores), quais as melhores telenovelas nacionais que estão a decorrer, os primos em quinquagésimo grau que vêm abrilhantar o serão com um concurso de arrotos e e arrancar a comida com as tenazes com unhas com que nosso senhor os brindou. Ele é a sanita milionária que o vizinho comprou para a casa nova e os há também os que preferem as que têm emblemas futebolísticos no fundo do recipiente. Há as novidades actualizadas sobre o que de melhor se faz na aldeia, quem bate em quem, quem trai quem, e quem ganha o quê e quanto. Sempre de fonte segura, claro.
Entretanto:
- Cumpri à risca a minha promessa de não enviar, a não ser por agradecimento, sms natalícias, absolutamente a ninguém.
- Consegui partir em 9879873 pedaços um prato de colecção da tia que, qual museu, guarda as suas relíquias da 'vista-muito-pouco-alegre' nas paredes e que lhe deverá ter custado um preço que eu certamente conseguiria pagar por 4 caixas de 87 pratos cada.
- Atingi o ponto de ebulição do meu estômago que, com a quantidade e variedade que o aconchegou deverá assemelhar-se a uma obra prima multimilionária de Jackson Pollock.
- Enquanto quase toda a família foi cumprir a sua Missa do Galo, e tendo em conta as circunstâncias, esta foi a melhor maneira de desejar um Feliz Natal a todos :-)
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
sábado, 6 de dezembro de 2008
Christmas Circus
Há vícios que não têm tratamento, e há uma teimosia minha em concretizar árvores e enfeites de Natal por onde quer que vá e por quantas casas vou tendo que quase roça o ridículo.
Faço-as sempre e invariavelmente sozinha, e encharco-me em pó e pesos e lixo que se arrasta dos anos 80 mas que ninguém ter coragem de deitar fora e dedico-me horas a enfeitar e montar e armar um circo chinês a ser desmontado semanas depois.
Contrariando toda a relutância de todos os que dispensam esse trabalho e a poluição visual que lhe segue, encarno o momento como uma criança de 7 anos em cima do banco para chegar ao topo da árvore num espectáculo trágico-cómico que se assemelha ao estado da hilariante crise em que vivemos.
Felizmente, este ano contei com a sempre genial companhia do Karajan, da Filarmonica de Berlin e a nona do capitão Bethooven para me ajudar na festa.
Uma tragédia é menos trágica quanto melhor for a companhia.
Ou pelo menos assim devia ser.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
some velvet morning
domingo, 19 de outubro de 2008
benvindo outono
o recomeço, as memórias, as molduras antigas.
as aranhas, teias, moscas e enredos.
passeios de bicicleta pelos campos e reachos.
os girinos, o musgo, as rãs.
os comboios que passam.
a água fria fria muito fria. a pele de galinha. da galinha, a canja a escaldar na garganta.
as tardes de sábado de domingo de filmes e chá e chá e chá e mantas enroscadas.
os dias longos, manhãs escuras.
o não me apetece, só mais um bocadinho.
os guarda-chuvas, as botas e casacos.
os figos, diospiros, as uvas e as castanhas assadas, cruas e cozidas. as peles.
a pele.
a preguiça.
a preguiça.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
