Podemos inventar 1001 maneiras de descrever com palavras bonitas e animadoras uma função que tantas vezes nos consome de monotonia e cansaço, e que nos leva a ponderar o seu significado na nossa carreira profissional. Muitas vezes fazemo-lo para nos obrigarmos a aceitar que vale mesmo a pena, outras porque simplesmente acreditamos.
Hoje chegou-me isto às mãos, um lugar numa empresa, com a descrição (quase total) do que eu faço actualmente com o nome: "Happiness Engineer".
Uma tragicomédia com o meu nome. Logo eu que não me aguento de felicidade.
passa um fim-de-semana inteiro sem respirar ar fresco e puro e sem levar chuva na cara. divide-o entre o tempo passado no sofá, a cama, a despensa e o microondas. dedica-se inteiramente aos delírios dos estados depressivos e alimenta-os avidamente com horas passadas numa maratona de cinema e tv com:
2 episódios do Brothers and Sisters
9 episódios da Anatomia de Grey
o Kill Bill
o The Band's Visit
Um tearjerker a sério come uma embalagem de Cerelac e outra de Toblerone como se não houvesse amanhã e ainda chora quando se lembra de tudo o que comeu. Um tearjerker anda sempre com lenços de papel de folha dupla e na ausência deles limpa as lágrimas às mangas do pijama. Um tearjerker consegue tornar todos os telefonemas com palavras de apoio num convite a que seja o último telefonema que recebe dessa pessoa. Pensa que a sua vida e os seus dilemas são mais difíceis de superar do que qualquer outro, por isso, não se-lhe venham queixar que a vida está difícil.
Ainda assim, um tearjerker dos verdadeiros, depois de horas passadas entre o Hospital Seattle Grace e os ossos partidos do Tarantino, consegue não aguentar de dores de costas nem dar dois passos sem desejar ter por perto o poderoso Voltaren.
na cama
na sanita
ao pequeno-almoço
no carro
no comboio
no café da manhã
no trabalho
na sanita
no trabalho
ao almoço
no trabalho
na sanita
no trabalho
no comboio
no carro
ao jantar
no sofá
na sanita
na cama
e pelas mais variadas razões,
hoje ele não se aguenta de pé.
(isto até podia ser poesia, mas é pura estupidez).
Da próxima vez que se lembrarem de me convidar para jantar e ver um filme em casa, tentem, por favor, que não seja novamente nenhum semelhante a este nem com personagens tão perturbadoras como esta. Está longe de ser um bom digestivo. Pronto, tem a Ellen Page, mas é só isso.